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Palavra do Médico

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Câncer de Mama na Gestação por Dr. Daniel Meirelles Barbalho

Descrição do artigo

Qual o índice de grávidas com câncer de mama?

Nos Estados Unidos, a cada 10.000 nascidos vivos, são diagnosticados 1,3 casos de câncer de mama. Entre os cânceres de mama diagnosticados em mulheres abaixo de 50 anos, aqueles associados à gestação compreendem algo em torno de 0,2% a 3,8% do total de casos. O número não é expressivo quando comparado aos cânceres diagnosticados fora da gravidez, mas são casos carregados de grande impacto psicológico para a paciente e sua família.

As mulheres buscam tratamento?

Sim. Por serem, em sua maioria, mulheres abaixo de 40 anos; essas mulheres estão fora da idade de rastreamento (exames de imagem de rotina da mama em pacientes que não sentem nenhum nódulo) e seus cânceres geralmente são diagnosticados quando palpados. Devido a este fato, os cânceres diagnosticados na gestação costumam estar em um estádio um pouco mais avançado do que aqueles diagnosticados por rastreamento e apresentam, assim, um pior prognóstico no conjunto. No entanto, quando comparados em relação ao mesmo estadiamento (quão avançado o câncer está), o câncer de mama na gestação tem as mesmas chances de cura que aqueles diagnosticados fora da gestação. Para as mulheres que desejam engravidar ou estão grávidas no momento, a recomendação é que tenham suas mamas examinadas pelos seus respectivos obstetras se não tiverem casos de câncer de mama na família. As mulheres com história familiar de câncer de mama devem procurar um mastologista.

Atualmente existem drogas para esse tipo de tratamento? Quais? O tratamento pode afetar o bebê?

As principais drogas quimioterápicas utilizadas no câncer de mama podem ser utilizadas a partir do segundo trimestre da gestação como é o caso dos antracíclicos e os taxanos. Ainda temos dúvidas em relação ao uso de trastuzumab, droga que beneficia uma parcela em torno de 25% das pacientes com câncer de mama, por relatos de oligoâmnio associado ao seu uso. Para as pacientes que se beneficiam desta droga, seu uso é postergado após o parto. De modo geral, pacientes diagnosticadas no primeiro trimestre passam pela cirurgia primeiramente já que não podemos usar drogas nesta fase da gestação. Ao fim da recuperação da cirurgia, a maioria já estará no segundo trimestre e passa a receber, então, quimioterapia. Esse tratamento dura em torno de 6 meses, tempo que coincide com o término da gestação. Após o parto, as pacientes são aconselhadas a não amamentar e são encaminhadas para radioterapia e hormonioterapia quando indicadas. Pacientes diagnosticadas após o primeiro trimestre, de regra, recebem quimioterapia antes e o restante do tratamento após o parto.

É possível engravidar durante o tratamento do câncer de mama?

A quimioterapia faz com que os ovários parem de funcionar e as mulheres não conseguem engravidar durante a quimioterapia. Pacientes jovens diagnosticadas com câncer de mama que ainda têm desejo de engravidar podem coletar óvulos ou congelar embriões antes do início da quimioterapia. Findo o tratamento do câncer de mama, as mulheres podem engravidar. Apesar do aumento dos níveis de hormônios como estrógeno e progesterona durante a gestação, ter filhos após o tratamento do câncer de mama não alterou o prognóstico da doença em diversos estudos. É sempre difícil estabelecer em quanto tempo após o término do tratamento a paciente estará liberada para tentar engravidar e não há resposta única. Como regra, podemos dizer que não antes de 2 anos após o término do tratamento. Não é uma decisão simples. Mulheres diagnosticadas com câncer de mama sensível a hormônios (70% dos casos) usam tamoxifeno, uma droga oral, por 5 a 10 anos após a quimioterapia e seu uso deve ser descontinuado durante a gestação. Os benefícios e prejuízos devem ser discutidos individualmente.

Por fim, as mulheres diagnosticadas durante a gestação costumam passar por uma fase de negação e adiamento do tratamento maior em relação àquelas diagnosticadas fora da gravidez por uma série de fatores: negação pela idade jovem, temor de ferir o bebê durante o tratamento, o paradoxo do nascimento de uma vida e o potencial risco de outra, projetos familiares ameaçados. No entanto, não devemos permitir que esses fatores, todos compreensíveis e aos quais devemos ser empáticos, atrasem o diagnóstico e o início do tratamento. O tratamento precoce é chave para melhores chances de cura. Procure seu médico caso tenha qualquer dúvida.


Daniel Meirelles Barbalho

Mastologista

CRM 18166 DF

Hospital Sírio Libanês - Braília /DF