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Mitos e verdades sobre a cesárea e o parto normal

Descrição do artigo

Como é feita a cesariana?

A técnica habitual é chamada de Pfannestiel, que consiste em abertura transversa da pele da mãe de cerca de 15 cm, na altura da prega abdominal inferior entre a barriga e a sínfise púbica, local de menor tensão da pele. São abertas 7 camadas de tecido até chegar no bebê. Em casos de exceção ou urgência absoluta, pode-se ter que optar pela incisão longitudinal, abaixo do umbigo.

Como é feito o parto natural?

O nome adequado é parto normal, e quando há necessidade de uso de fórceps ou vácuo-extrator, chamamos de parto vaginal instrumental. Consiste na saída do bebê pela vagina, após o período de dilatação do colo uterino e período expulsivo. Pode ser que o bebê nasça sem a necessidade de qualquer intervenção, porém, caso haja demora na saída da cabeça e o médico ou a enfermeira obstetriz identifiquem a resistência do períneo materno, pode-se realizar a episiotomia. Esta consiste em corte na pele e músculos do períneo para ampliar o canal do parto e permitir o nascimento. Deve ser realizada nas pacientes em que realmente se identifique a dificuldade na saída do bebê.

Quanto tempo dura cada processo?

Classicamente, o trabalho de parto dura cerca de 10 a 12 horas no primeiro bebê, mas estudos recentes apontam que se pode esperar até 18 horas, desde que esteja correndo tudo bem com mãe e bebê. O parto cesárea dura em média 2 a 3 horas.

Como é definido o “tipo” de procedimento que será adotado?

Se a paciente não tem uma indicação absoluta de cesárea, teoricamente, sempre pode aguardar entrar em trabalho de parto (TP). Quando este se inicia, uma avaliação periódica das contrações uterinas, da dilatação cervical (abertura do colo do útero) e da vitalidade do bebê mostram a evolução dos estágios desse TP. Estando tudo OK, aguarda-se o nascimento por via vaginal. Quando há intercorrências no TP, a cesárea pode ser indicada a qualquer momento. Isso deve ser uma decisão compartilhada entre a paciente, o marido e seu médico, baseada em evidências científicas.

Um recurso que pode ser utilizado é a ultrassonografia na sala de parto – esta pode resolver dúvidas da equipe assistencial e da paciente quanto à posição da cabeça do bebê, sua descida, presença de circular de cordão cervical que esteja impedindo a descida do bebê ou causando bradicardias. Ajuda a fundamentar a indicação da via alta (cesárea).

Quando existe uma indicação prévia de cesárea, esta pode ser planejada idealmente entre a 39ª e 40ª semanas. Caso haja mudança do quadro materno ou do bebê durante o pré-natal, em avaliações com exames complementares (ultrassonografia, exames sanguíneos maternos, cardiotocografia), a cesárea pode ser antecipada.

Para evitar dores, o parto normal pode ser feito com anestesia?

Sim, pode ser realizada analgesia, onde medicamentos são administrados para diminuir a dor durante as contrações. Pode ser feita por punção peridural (nos espaços entre as vértebras), onde se passa um cateter e a medicação vai sendo administrada em pequenas doses. Depende do ritmo do trabalho de parto, da dilatação em que se encontra, da descida da cabeça do bebê, entre outros. Na hora do nascimento, mais medicação pode ser dada neste mesmo cateter e feita anestesia da região perineal para a saída do bebê. Há várias formas de alívio da dor antes de se instalar uma analgesia, como andar, ficar agachada, banhos de chuveiro ou de banheira, que podem ajudar a parturiente a passar o primeiro estágio do TP com menos dor.

A escolha do parto pode afetar a saúde do bebê?

As cesáreas desnecessárias e muito antecipadas podem levar a prematuridade iatrogênica (provocada), levando a sequelas e distúrbios futuros. O parto normal a qualquer custo também tem suas desvantagens. Este deve ser seguro para a mãe e bebê, sem que haja sangramento excessivo para a mãe ou anoxia (falta de oxigênio) para o bebê. É importante se vigiar os resultados perinatais.

Em Outubro de 2015, o IHI (Institute for Healthcare Improvement) e o HIAE iniciaram o Projeto Parto Adequado, onde estão sendo estudadas formas de se aumentar a % de partos vaginais sem que haja diminuição da qualidade na assistência obstétrica e neonatal. O Parto Adequado é o Parto Seguro para a mãe e bebê, dentro das indicações baseadas em evidências científicas.

É possível se preparar e estimular o parto normal durante a gravidez?

Sim, é possível se criar um vínculo de confiança entre a paciente, médico, enfermagem e o hospital onde ela escolheu ter seu filho ainda durante a gestação , trazendo segurança e tranquilidade na hora do TP.

Os esclarecimentos dos acontecimentos durante o TP, possibilidade de analgesia, possibilidade de acompanhante no TP e Parto, visitas prévias às dependências obstétricas do hospital, o curso de gestantes, e principalmente, a vontade de paciente e médico, estimulam o parto normal. Devemos fornecer informação às pacientes para que não tenham "medo" de aguardar o TP.

Quais são as reais indicações para a realização da cesariana?

Aquelas baseadas em evidências científicas:

  • 2 OU MAIS CESAREAS ANTERIORES
  • DISTOCIA DE TRAJETO (alterações na bacia da mãe )
  • FALHA DE PROGRESSÃO DO T.P. ( falta de dilatação ou da descida da cabeça do bebê)
  • SOFRIMENTO FETAL
  • APRESENTAÇÕES ANÔMALAS ( bebê não está de cabeça para baixo)
  • APRESENTAÇÃO PÉLVICA FORA DOS CRITÉRIOS DE ELIGIBILIDADE PARA VIA BAIXA ( bebê muito grande, cesárea anterior)
  • PLACENTA PRÉVIA
  • DESCOLAMENTO PREMATURO DA PLACENTA
  • PROLAPSO DE CORDÃO UMBILICAL
  • PRÉ-ECLÂMPSIA GRAVE / ECLÂMPSIA
  • CIRURGIA UTERINA PRÉVIA (MIOMECTOMIAS / CIRURGIA FETAL A CÉU ABERTO)
  • INFECÇÃO MATERNA POR HIV

Qual a diferença na recuperação entre parto normal e cesariana?

No parto via vaginal a puérpera não apresenta o corte abdominal, tendo mais facilidade de se levantar ou deitar. Mas, mesmo na cesárea, ela deve se movimentar assim que possível ( cerca de 8 hs após), deve andar, estimulando o funcionamento intestinal e recuperação mais rápida) No parto vaginal, por vezes, a episiorrafia (sutura da episiotomia) pode doer ao sentar. Banhos de assento e compressas geladas ajudam a recuperação.

É verdade que a cada parto normal o trabalho de parto fica mais fácil?

Em gestações subsequentes a um parto vaginal, desde que a posição e tamanho fetal estejam favoráveis, teoricamente, a dilatação cervical se dá em torno de 6 a 8 h, e não 12 a 18h. De qualquer maneira, a vigilância da vitalidade fetal e os exames para se assegurar da dilatação e da descida da cabeça do bebê devem ser realizados.

Fonte: Dra. Rita de Cássia Sanchez, obstetra e especialista em Medicina Fetal do Einstein - CRM 60.174 SP

http://www.einstein.br/einstein-saude/palavra-do-especialista/Paginas/rita-de-cassia-sanchez.aspx