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Você sabe o que é Partograma?

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Você sabe o que é partograma?

O partograma é uma ferramenta de avaliação e interpretação da progressão do trabalho de parto. Por recomendação da OMS (Organização Mundial de Saúde), o Ministério de Saúde anunciou o seu uso como obrigatório na saúde suplementar a partir de 5 de julho de 2015.

O objetivo primordial desse processo é reduzir a incidência do trabalho de parto prolongado e obstruído, reduzindo as complicações decorrentes destas condições. Por meio de um gráfico em que são anotadas as progressões do trabalho de parto e as condições materna e fetal, tem sido possível identificar a condução necessária da atividade.

Apesar de possuir diferentes versões, a característica central do partograma é a anotação gráfica da dilatação cervical. No entanto, ele detecta outros problemas que apareçam na mãe ou no feto durante o trabalho de parto, como a descida da cabeça fetal e a atividade uterina, que são importantes indicadores, assim explica o guia prático de partograma da OMS intitulado “Prevenindo o Trabalho de Parto Prolongado: Um Guia Prático – O Partograma“.

O partograma serve como um "sistema precoce de aviso" e ajuda numa decisão antecipada em transferir, conduzir e finalizar o trabalho de parto. Ele também aumenta a qualidade e a regularidade de todas as observações da mãe e do feto, ajudando no reconhecimento precoce de problema com eles.


Quais os benefícios do uso do partograma?

Cerca dos 99% de mortes maternas anuais ocorridas em países em desenvolvimento, grande parte se dá por conta de um trabalho de parto prolongado devido a uma desproporção céfalo-pélvica que pode resultar em um trabalho de parto obstruído, desidratação da gestante, ruptura uterina e fístula obstétrica (e também, mas de maneira indireta, em hemorragia pós-parto e infecção neo-natal).

  • Trabalho de parto obstruído

O trabalho de parto obstruído, com ou sem ruptura uterina, aparece entre as cinco maiores causas da mortalidade materna em quase todos os países em desenvolvimento, mesmo que a sua importância relativa varie de região para região, segundo a OMS. Todavia, pode ser dito com certeza que, o trabalho de parto anormalmente prolongado e seus efeitos, contribuem de maneira importante na mortalidade e morbidade materna e perinatal ao redor do mundo.

A utilização do partograma aumenta as chances de uma maternidade segura por meio da detecção precoce da progressão anormal e a prevenção do trabalho de parto prolongado, ajudando, assim, a reduzir a mortalidade materna e perinatal.

A detecção precoce da progressão anormal do trabalho de parto e a prevenção do trabalho de parto prolongado podem ainda reduzir significativamente o risco de hemorragia pós-parto e sepse, bem como eliminar o trabalho de parto obstruído, a ruptura uterina e suas sequelas.

Reconhecendo o inaceitável alto índice de mortalidade materna e a possibilidade de prevenção na maioria dos casos, a OMS junto com o Fundo para Populações das Nações Unidas concluiu um “chamado para a ação”.

Este chamado determina que os profissionais de saúde envolvidos no cuidado de mães e crianças, adotem agora uma ação positiva para reduzir a morbi-mortalidade materna.

Entre as ações propostas estão: assegurar a toda gestante uma detecção precoce do risco gestacional, por profissionais de saúde apropriadamente treinados e supervisionados (não médicos), onde isto for possível, com o uso de toda a tecnologia para identificar o risco (incluindo o partograma, quando necessário); providenciar cuidados de pré-natal e durante o trabalho de parto, tão rapidamente quanto possível.


Quando o partograma não deve ser usado?

O grande trabalho multicêntrico com o partograma da OMS mostrou como é importante que as anotações sejam iniciadas somente quando a mulher estiver em trabalho de parto. Sendo assim, o partograma não poderá ser começado se a mulher não estiver em trabalho de parto.

É essencial notar que o partograma só pode ser usado por trabalhadores da saúde com treinamento adequado em obstetrícia e que sejam capazes de:

• observar e conduzir um trabalho de parto normal e o parto;
• acompanhar a dilatação cervical corretamente;
• anotar a dilatação cervical e a hora,da maneira certa, no gráfico.

O partograma não deverá ser usado em partos domiciliares acompanhados por parteiras não treinadas em obstetrícia. Quando usado em casas de parto ou hospitais, a introdução do partograma precisa ser acompanhada por um programa de treinamento, sob supervisão apropriada e com seguimento.


Incentivo ao partograma!

Apesar de ser considerado barato, efetivo e prático nos mais diversos países (desenvolvidos e em desenvolvimento), o partograma não tem sido usado extensivamente.

Comprovadamente efetivo em prevenir o trabalho de parto prolongado, reduzir as intervenções operatórias e em melhorar o resultado neonatal, o uso partograma deve ser encorajado em sua implementação ao redor do mundo.

Como deve ser um partograma?

Partograma da OMS: http://www.ans.gov.br/images/stories/prestadores/partonormal/partograma.pdf


História do partograma

E. A. Friedman em 1954, acompanhando o estudo de um grande número de mulheres nos USA, descreveu um padrão de dilatação cervical normal. Friedman (1954) dividiu o trabalho de parto funcionalmente em duas partes: a fase latente (precoce), que se estende de 8-10H e vai até cerca de 3cm de dilatação; esta é seguida pela fase ativa, caracterizada pela aceleração de 3-10 cm, ao final da qual ocorre uma desaceleração. Este trabalho forma a base na qual outros trabalhos foram elaborados.

Em 1969, Hendricks e alunos demonstraram que na fase ativa do trabalho de parto normal, o índice de dilatação cervical na primigesta e na multípara varia pouco e que não há desaceleração no final do primeiro estágio do trabalho de parto.

Philpott, em estudo intensivo de primigestas na África Central e do Sul, construiu um nomograma para dilatação cervical nesta população e foi capaz de identificar desvios da normalidade, criando uma base científica para a intervenção precoce, visando a prevenção do trabalho de parto prolongado.

Desde então, vários autores têm desenvolvido nomogramas similares em outras áreas geográficas. Nenhum deles demonstrou uma diferença significativa entre os grupos étnicos

Retirado de: Partograma Organização Mundial de Saúde - PARTE I: PRINCÍPIOS E ESTRATÉGIAS


TV Saúde – Ministério de Saúde